segunda-feira, 18 de março de 2013

O livro Haiti Po Si Organizado pela a pesquisadora Cearence Adriana Santiago reune pesquisa de Jornalistas de varias Nacionalidades.

Livro revela o Haiti

Fruto de mais de um ano de pesquisa, o livro Haiti por si, organizado pela cearense Adriana Santiago, reuniu jornalistas de várias nacionalidades para mostrar os muitos lados da história haitiana

“O Haiti foi formado pelos diversos povos africanos vítimas da escravidão a que foram submetidos como força de trabalho. No tempo de sofrimento e expulsão de sua terra, o povo foi gerando a resistência cultural, espiritual e política por seus direitos, vidas e identidade, conseguindo preservar suas raízes originárias. Através de sua história, foram objeto de diversas dominações e ditaduras que levaram o povo a situações limite, e o povo haitiano teve a capacidade de sobrepor-se e gerar a resistência para conquistar a construção de novos espaços de liberdade”.

As palavras do argentino Adolfo Pérez Esquivel, ativista dos direitos humanos premiado com o Nobel da paz em 1980, dão o norte para o livro Haiti por si – A reconquista da independência roubada, que será lançado hoje (14), às 15h30, no Auditório Deputado Almir Pinto da Assembleia Legislativa do Ceará. Fruto de um trabalho de 18 meses, o livro tem organização e edição da jornalista cearense Adriana Santiago.

Haiti por si se debruça sobre seis aspectos da nação caribenha: história, reconstrução, economia solidária, soberania alimentar, cultura e democracia participativa. Para cada um deles, foram convidados jornalistas vindos do Brasil, Chile e do próprio Haiti. Ilustrado com dezenas de fotos reveladoras sobre o cotidiano de um país abalado por tragédias políticas e naturais, o livro foi idealizado pela Agência de Informação Frei Tito para América Latina (Adital), agência de notícias, com sede no Ceará, voltada para divulgação de experiências da América Latinas.

“Havia um incomodo grande sobre a cobertura do Haiti porque não tinha uma perspectiva diferenciada. Era sempre sobre as catástrofes”, explica Adriana Santiago, se referindo a episódios como o terremoto de 2010, que deixou mais de 300 mil mortos. “É uma realidade muito diferente da nossa, uma pobreza generalizada. Se eles já viviam muito pobres, depois do terremoto foi pior”, continua ela, que passou cerca de 15 dias viajando pelo país em dezembro de 2011. Nesse período, além de coordenar os trabalhos da equipe, Adriana colheu histórias, que também foram incluídas no livro.

Com mais de 10 milhões de habitantes vivendo num território menor do que um terço do Ceará, o Haiti convive diariamente com as mais terríveis consequências da pobreza. Governado por comissões internacionais, o Brasil assumiu um papel de protagonista como coordenador Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH). “Ou seja, a gente tem que aprender a lidar com a ajuda internacional, por que estamos começando a ajudar, coordenando acordos. Enquanto Brasil, precisamos aprender a respeitar as outras culturas. É preciso aprender sobre o outro país para intervir”, conclui a jornalista.

No entanto, também é Adriana quem mostra um contraponto às dificuldades vividas pelo povo haitiano. “O povo ri o tempo todo. Eles tem carnaval, uma cultura linda, uma cidade colorida, inclusive com possibilidades turísticas, que não são exploradas. Eles têm uma música que parece uma coisa meio axé. A própria religião (vodu) é muito alegre. Nós procuramos não botar imagens de desgraça (no livro) por que o país é muito mais do que isso”.
 

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